major eléctrico


domingo, março 26, 2006
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Compilações (1)

Primeira parte dedicada a compilações que ensinaram, fizeram mudar a perspectiva sobre algumas coisas, abriram outros mundos ou documentaram uma secção vital do passado que se mantinha desconhecida. Trabalho em progresso. Mais em breve.

«Arcana Cœlestia» LP/CD Multimood 1987/1993
Uma das mais fascinantes fatias da música dos anos 80 não tem estilo e o termo experimental não serve para explicar tudo. A edição 7 da sueca Multimood ajudava a misturar tudo e o efeito hipnótico foi tremendo. (c/Controlled Bleeding, O Yuki Conjugate, Asmus Tietchens, Jeff Greinke,...; no CD a edição teve alguns extras mais contemporâneos)

«La Nouvelle Sérénité» CD Sub Rosa 1987
Capaz do melhor e do pior, a parte inicial da Sub Rosa envelheceu mal, mas a "nova" contemporânea da altura marcou o passo certeiro para hoje tudo ainda fazer sentido. A série Myths faz parte do lado bom da história, e este terceiro volume é imperdível. (c/Jon Hassell, Harold Budd e Gavin Bryars)

«Victims Of The Mixing Desk» MLP Vision 1989
Com o Industrial a tornar-se cliché, procurava saídas viáveis dentro de um espírito insurrecto. Primeiro com Electric Noise Twist e logo a seguir, na mesma editora, uma compilação de beats terroristas com total aceno de cabeça à On-U Sound e particularmente à estética de Mark Stewart, mas também com inspiração hardcore e free jazz. A Vision mudou da Suiça para Londres e mudou o nome para Praxis, editando o álbum techno dos Bourbonese Qualk.

«Artificial Intelligence» CD Warp 1992
«Artificial Intelligence 2» CD Warp 1994
A definição de quase toda a electrónica dos anos 90 começa aqui. O que se viria pouco depois a chamar IDM (Intelligent Dance Music), antes de ser rotulado. Uma nova forma pura, sim, mas também contaminada com genes de Detroit e Chicago. Autechre, Aphex Twin, B12 e outros explicados com clareza.

«Out There - A Thread Through Time» 2xCD/4xLP PI 1994
Fazia uma perfeita ligação entre a cultura techno e o industrial mais esotérico, revelando nomes novos a quem só habitava uma das zonas. Incluía uma das maiores trips de todos os tempos sob a forma de «Panta Rhei» (Unit Moebius), também Mika Vainio e o seu Cosmos de cristal, junto com Coil, Zoviet France, Chris & Cosey, GTO, PWOG, Black Dog e uma tonelada de desconhecidos.

«Isolationism» 2xCD Virgin 1994
O nome diz tudo e até perfilhou um estilo que não se eternizou: enredo sombrio, a preto e branco, com atmosfera pesada e densa, mostrando alguns dos nomes importantes do ambiental mais experimental dos anos 90. Simon Hopkins foi o arquitecto milagroso da Virgin, Kevin Martin foi o autor destas escolhas. (c/ Jim O'Rourke, Aphex Twin, AMM, Thomas Koner, Scorn, Paul Schutze, Total,...)

«Atom Weight» CD Iridium 1996
Foi a primeira hipótese de ouvir Ryoji Ikeda no Ocidente, numa compilação que reúne música do japonês e do seu colectivo perfomance Dumb Type. A partir daqui tudo mudou na electrónica digital. (c/ Ryoji Ikeda, Dumb Type, CCI Sound System e Yoshio Ojima)

«The Conet Project» 4xCD Irdial Discs 1997
Verdadeiro sonho molhado para quem sentia curiosidade pelos sons estranhos que se escutavam em rádio de onda-curta. Quatro CD's que reunem de forma sistematizada e bem documentada gravações de estações numéricas na sua maioria da Europa de Leste. Crê-se que muitos dos números, palavras e tons difundidos eram códigos de agências de informação/espionagem a laborar em modo Guerra Fria.

«Warp 10+1: Influences» 2xCD/4xLP Warp 1999
Sólidos 5 anos à frente do regresso da Acid House, esta compilação destinava-se contudo a celebrar os 10 anos da Warp. Como tal, Detroit, Chicago e alguma produção britânica de final dos 80's era revelada pela primeira vez a muitas cabeças.

«Clicks_+_Cuts» 2xCD Mille Plateaux 2000
Pela MP passaram quase todos os nomes fundamentais da música electrónica dos últimos 10 anos. Aqui, a editora resolveu unificar um conceito dando-lhe, como sempre, um nome, e a partir daqui o estilo tornou-se instituição, morrendo aos poucos e resistindo ainda em desesperados enclaves sem importância. (c/snd, Frank Bretschneider, Panasonic, Farben, Vladislav Delay, Jake Mandell,...)

«Dancin' Days» CD Dancin' Days 2003
Primeira colecção longa de re-edits Disco/Funk cortados por Pedro Tenreiro, no Porto. Inspiração decisiva para o avanço de experiências similares por ME. O poder de transformar originais sem utilizar grande sofisticação aliado ao prazer de criar uma grelha mental na qual o som se divide como nós gostamos.

«Rub N Tug present Campfire» CD/2xLP Eskimo 2005
A quase não-mistura, os efeitos baratos, quebras no som e a inspiração Cósmica/Disco abriram outras possibilidades no cansado mundo dos discos misturados com excesso de técnica. Verdadeira mixtape misturada ao vivo com o sabor do momento. Pode ser tudo novo outra vez!

«Chromeo present Un Joli MIx Pour Toi» CD/2xLP 2005
Selecção 100% vintage: Jonzun, Jets, Chemise, Jellybean Benitez e outras pistas óptimas para descobrir onde o electro se cruzava com o funk e algum bubblegum pop típico da América de 80's.




6 Comentários:

em 1:16 da manhã, Blogger dub disse...

Ponho-te aqui isto porque podias não ver se o colocasse mais abaixo.

Tenho comigo o Lil' Louis que querias com o Blackout e, para fazer parzinho, o DFX.

Abraço,
dub

 
em 10:32 da manhã, Blogger ME disse...

Espera aí... O «RELAX YOUR BODY» de 89? Jesus... Fica atento aos e-mails.

 
em 11:52 da tarde, Anonymous slickaphonic funkula disse...

Cuidado Major Electrico! Cuidado caro Major que isso pode ser um sinal dos Deuses! Now ya have 2 «RELAX YOUR BODY»! 2! Can ya dig it!? Curiosamente acabei de lavar umas Perolas que tenho acola, e uma delas, nada mais nada menos! Que Strechin Out(In A Rubber Band) do one and only - Bootsy Collins! Um 7Inch rariiiissimo! Uiii!I can see what´s comin next!

 
em 1:38 da tarde, Anonymous Anónimo disse...

Por causa da "arcania coelestia" e da Multimood, não foi essa a editora dos Biosphere e dos Green Isac?

 
em 7:24 da tarde, Blogger ME disse...

biosphere e green isac? não, essa era a Origo Sound.

 
em 1:32 da tarde, Blogger Jaime Teixeira disse...

ah bom! Já me lembro, infelizmente dessa época guardo muito pouco. Era o tempo das K7s e pouco sobreviveu... Também havia uma fanzine em fotocópias que era excelente e publicou o perfil dessas editoras todas. Qualquer dia temos que recuperar todo esse material, pois assim também se fez a história da música popular. Um abraço e obrigado pelas memórias!

 

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