major eléctrico


quarta-feira, julho 12, 2006
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Rui Reininho



GNR «Hardcore 1º Escalão/Avarias» 7" Valentim de Carvalho 1982
Muitos anos à procura deste disco, uma memória de uma letra meio proibida para putos ("She licks, she sucks") e a pura estranheza de uma canção com quebras, recomeços e sintetizador. Mais tarde consegue fazer lembrar Tuxedomoon, na voz de Reininho, que entrou para os GNR em 81 depois de ter feito uma entrevista ao grupo. Hoje, Reininho não concebe escrever canções senão em português, mas «Hardcore (1ºEscalão)» é logo memorável pelos desvios livres entre inglês e espanhol. Art-pop ou new wave, o que quer que se lhe chame, a canção mantém hoje todo o brilho, esquizofrenia, maus espíritos, sin-te-ti-za-dor e groove. É muita coisa numa só faixa. No lado B, uma versão curta de «Avarias», que aparecia no álbum «Independanças» a ocupar um lado inteiro, mais de 20 minutos. Esta versão curta condensa as experiências numa malha punk-funk.

Anar Band «Anar Band» LP Rádio Triunfo 1977
Sem tempo e num registo bem mais nebuloso do que a pop que tornou conhecidos os GNR, Anar Band foi o nome sob o qual ficaram registadas algumas experiências de Rui Reininho pré-GNR com Jorge Lima Barreto (mais tarde fundador de Telectu, com Vitor Rua, então pós-GNR). Descrito pelo próprio Lima Barreto como o primeiro disco produzido em Portugal de música improvisada num contexto electro-acústico, «Anar Band» utiliza nomes de heróis e super-heróis para exprimir as possibilidades sobrenaturais do som do sintetizador ARP Odyssey em regime livre e em diálogo com a guitarra de braço duplo tocada por Reininho. A proximidade com o free-jazz era uma intenção, mas passam incólumes, ainda hoje, as ambiências e tons psicadélicos que evocam paragens distantes na mente de quem imagina filmes de ficção científica ou, radicalmente diferente, aventuras escuras no coração da selva. Puro delírio por duas cabeças anarcas (Reininho ainda confessa) «Anar Band», o LP, foi meu antes de 1980 e muito antes de poder começar a perceber o que era. Lima Barreto era filho do dentista local, em Vinhais (30km de Bragança) e frequentava ocasionalmente a minha casa para conversas com a minha mãe e o meu padrasto na sala onde me lembro de ouvir «House Of The Rising Sun», «Voulez Vous» e discos de 78 rpm. Mais tarde aconteceu o mesmo com «Ctu Telectu», de Telectu, mas ofereci a minha cópia a Dirk Ivens em 1988 numa manobra de charme, juntamente com uma cópia repetida de «Anar Band». Ivens era grande fã das cenas do Lima Barreto.




9 Comentários:

em 4:02 da tarde, Anonymous Anónimo disse...

«oponho-me!»...

muito bem lembrado, sim senhor major!

 
em 10:35 da tarde, Blogger digga disse...

E o sete polegadas dos GNR com Sê um GNR e, no lado B, um Instrumental nº 1 que é pura pressão punk funk com laivos de surf que em 33 rotações funciona às mil maravilhas? É favor conferir...

 
em 10:38 da tarde, Blogger digga disse...

E já agora: também já usei uma cópia repetida do Anar Band para uma manobra de charme, no caso com Harry Love, DJ dos Scratch Perverts que na altura queria "crazy electronic shit" para samplar. E é curioso como na década passada se encontravam tantas cópias desse disco (cheguei a ter 4 simultaneamente) e agora já não se vêem em lado nenhum...

 
em 1:44 da manhã, Blogger ME disse...

Bem, ficar atento ao single de GNR, há-de aparecer um dia. Tanta coisa ainda por fazer...

 
em 9:33 da tarde, Anonymous O Filho legitimo de Blakula disse...

AI MAEZINHA DO CEEEEEU! MAJOR! Ofereces tes o quiiie ao Dirk n sei das quantas! ai Santo Bootsy perdoa este pecador que ele nao sabe o que faz! DEVIAS GUARDAR ISSO PA MIM MAN! Trocavas comigo que era um regalo paa! FONIX!Eu quero isso paa!snif snif snif

Tive a ouvir o podcast JACK01! Alta zorbadela!

 
em 10:51 da tarde, Blogger ME disse...

Zorbadela é das melhores expressões de sempre!

 
em 11:40 da tarde, Blogger digga disse...

Sim, mas o léxico de Funkula é tão mais vasto do que isso. Deve ser um planeta maravilhoso, o dele...

 
em 11:42 da tarde, Anonymous Johnny savimbi disse...

zorbadela provem do zorbanço! trips maradexes do qual o party people usa como desculpa pa mergulhar no Groove! SOU CONTRA! Não contra o zorbanço mas sim aos meios que enacaminham ao zorbanço tas a ver Major!

Santo Bootsy nos salve e guarde!

 
em 11:52 da tarde, Blogger ME disse...

Zorbadela também faz lembrar Zorglub, o vilão das histórias do Spirou. Mas Bootsy aprovaria Jack, tenho a certeza.

 

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