major eléctrico


segunda-feira, novembro 06, 2006
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Compras 06.11.2006

Severed Heads «The Big Bigot» LP Ink 1986
Severed Heads «All Saints Day» 12" Nettwerk Europe 1989
«The Big Bigot» é talvez o pico da criatividade dos australianos Severed Heads, o nonsense cartoonesco em equilíbrio com o industrial. O maxi «Propellor» foi praticamente introduzido em Portugal por Manuela Paraíso em «O Fogo e o Gelo» (programa na Rádio Azul, de Setúbal, em 86/87) e ainda é dos temas que melhor e mais claramente identificam o estilo Severed Heads. Mas este álbum tem outros memoráveis como «Legion», «Army» (re-edit ME em arquivo) e o semi-cósmico «Come Visit The Big Bigot».
«All Saints Day», numa fase posterior, mostra o grupo mais limpo, menos schizo, a incorporar nitidamente influências da House que despontava então...
Public Image LTD «The Flowers Of Romance» LP Virgin 1981
Public Image LTD «Rise» 12" Virgin 1986
Public Image LTD «Home» 12" Virgin 1986
Os maxis de 86 pertencem à fase mais directa dos PIL, genericamente pouco interessante, ainda que «Rise» seja uma peça que, uma vez ouvida, não se esquece com facilidade. Ajuda ter o instrumental no lado B, mas a verdade é que se imagina a voz de John Lydon por cima (carisma). «The Flowers Of Romance» é outro assunto: um disco tribal, dominado pela percusão fúnebre e ameaçadora, Lydon aparece um pouco menos visível (isto é, histeria vocal mais controlada). Há faixas físicas incríveis como «Go Back», «Flowers Of Romance» e «Track 8» (re-edit para cortar a voz).
Suzi Quatro «Suzi Quatro» LP RAK 1973
SQ reinava bem antes de PJ Harvey como Glycerene Queen (uma das canções no álbum). Rock-chick por excelência, a sua coisa era mais directa e macho do que o drama de PJ, mais blues e billy, pub-rock, mas desde que ouvi pela primeira vez em cassete, com 9 ou 10 anos, ficou qualquer coisa daquela energia bruta e feminina em simultâneo. Muitos anos depois, a intuição conduz ao caminho certo: «Suzi Quatro» tem 9 canções mais ou menos dispensáveis, mas as 3 restantes são OURO: «Skin Tight Skin» e «Official Suburbian Superman» são Disco com tensão Rock, voz quase sempre no ponto certo de sensualidade, beat certo e «Primitive Love» parece «African Blood» de Supermax na selva de «Hearts Of Darkness» de Joseph Conrad. Não esperava por isto : ) Por fim, uma das capas mais rock da História.
Anti-Time «Dream Baby/Free Recipe» 12" Delkom 1990
Delkom era a editora de Gabi Delgado, metade de DAF, mais sexual do que Robert Görl, se segurimos a sua discografia pós-DAF. Anti-Time, com a voz de Saba Komossa, a outra metade da editora (Del-Kom), ergue-se do então já moribundo corpo da EBM para incorporar uma estrutura rítmica House que leva a coisa para outro nível. Sexy.
Mother F «Welcome Aboard» 12" Matra 1981
Mother F adaptaram, no mesmo ano, «Welcome Aboard» da Love Unlimited Orchestra de Barry White, já de si uma viagem Disco completa com tudo. Neste maxi, a introdução em drone conduz ao motor da música: simulador de vôo com a voz narcótica e feliz da hospedeira que convida ao abandono, tal como no original mas com uma pulsação mais baleárica do que Disco. Instrumental no lado B perde claramente pela falta da sugestão hipnótica da voz. Feito no Canadá. Incrível.
The Flying Lizards «Top Ten» LP Statik 1984
A aventura pop de David Cunningham durou mais do que seria normal, mas já fora da Virgin, a perfeita companhia mainstream para uma infiltração underground. Agora na Statik (Chameleons, Positive Noise, The Dance, etc), «Top Ten» é uma colecção de versões, a especialidade de Flying Lizards. Transformar a melodia de uma canção pop num conjunto de frases recitadas sem emoção era a punhalada de FL no sistema. A voz de Sally soa, como sempre, ao tom monocórdico dos primeiros sintetizadores de voz para computador. «Sex Machine» (James Brown), «What's New Pussycat» (Burt Bacharach) e «Suzanne» (Leonard Cohen) são os highlights pessoais.
Andrea True Connection «More, More, More» 7" Buddah 1976
Uma das divas Disco mais celebradas fora do mainstream, Andrea True aqui soa às melhores coisas de Celi Bee, mas o mel irresistível da voz acaba no refrão, que não faz justiça ao resto. Parte 1 e parte 2 sem grandes diferenças, neste 7".
El Coco «Cocomotion» 7" Pye 1977
Um dos hits mais visíveis de Rinder & Lewis sob o nome El Coco, a celebrar os clichés Disco com força profissional e um gosto natural pelo look da má vida associada à cena. Tudo clássico mas, neste exemplo, falta o Quê extra que nos transporta para lá da pista.




8 Comentários:

em 2:33 da tarde, Blogger Electrobot disse...

"O maxi «Propellor» foi praticamente introduzido em Portugal por Manuela Paraíso em «O Fogo e o Gelo» (programa na Rádio Azul, de Setúbal, em 86/87)..."

Muito engraçado, este facto. Quem diria, Severed Heads na Rádio Azul...

 
em 2:52 da tarde, Blogger ME disse...

É verdade! «O Fogo e o Gelo», melhor programa de rádio de sempre?

 
em 5:56 da tarde, Anonymous Anónimo disse...

isso do fogo e do gelo ser o melhor pograma de radio de sempre é que já me parece menos provável...mas isso é só porque nos anos 80, ao contrário de hoje, havia muito programas de radio e uns quantos mesmo muito bons...

 
em 8:14 da tarde, Blogger prozac disse...

Muito obrigado por esta informação hipercalórica e altamente didáctica, eu não teria outra forma de A obter:)
JP

 
em 8:31 da tarde, Blogger prozac disse...

Inveja.Respeito.:)

 
em 10:45 da manhã, Blogger ME disse...

: )

 
em 10:47 da manhã, Blogger ME disse...

Agora consegue-se ter acesso a tudo o que se quer ouvir sem intermediários, e a rádio, em geral, não traz surpresas, mas na época programas como «O Fogo e o Gelo» pareciam portais de acesso a outra realidade, era uma aprendizagem e uma iniciação.

 
em 3:01 da tarde, Anonymous Anónimo disse...

gosto dessa ideia dos portais...
outros programas que revelaram novos mundos:
Som da Frente
Noites de Luar
Musonautas
alguns de que não me recordo do nome em rádios piratas das quais também já me esqueci...
e não podemos esquecer esse grande vortex que era o Major Electrico na Voxx...
parece que hoje já ninguém quer ver para lá da realidade imediata, pelos menos na radio tal como a conhecemos.
é um aborrecimento...

 

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